sábado, 5 de abril de 2008

A IGREJA PRIMITIVA E A IGREJA EVANGÉLICA CONTEMPORÂNEA

Os autênticos cristãos sabem que a doutrina dos apóstolos, contida nas Escrituras Sagradas, não pode sofrer nenhuma espécie de retoque no sentido de “facilitar” a vida dos que pretendem se tornar evangélicos nos dias de hoje. Sabemos, e não poderia ser diferente, que os métodos da divulgação do evangelho mudam de acordo com as épocas e as circunstâncias. Isso é plenamente salutar e até necessário, desde que os princípios doutrinários permaneçam inalterados. E é exatamente por isso que temos várias denominações religiosas, diferentes formas de cultos e a tecnologia e os meios de comunicação cada vez mais atuantes na igreja evangélica contemporânea. Infelizmente, muitos dos chamados evangélicos de hoje, além de estarem modificando o método, estão também alterando o conteúdo da Sã Doutrina que, por ser a verdade eterna e imutável acerca de Deus e do Evangelho (Jesus Cristo), não pode sofrer qualquer tipo de alteração, como já afirmamos. E qual é o objetivo maior dessas prejudiciais distorções? É exatamente não contrariar e “facilitar” a vida daqueles que se propõem a “seguir” a Cristo. Para isso, não se fala em pecado, arrependimento, mudança de vida, perseguição, provação, o negar-se a si mesmo, o tomar a sua cruz e a volta de Cristo. A prosperidade é o ponto alto da pregação. Seguir a Cristo, basicamente, significa estar isento de qualquer problema físico, financeiro e espiritual. É lógico que Deus na sua soberania e poder pode nos livrar de muitos problemas, desde que isso esteja dentro da Sua Vontade! E, por falar nisso, você sabe qual é a maior vontade de Deus para com a humanidade? A resposta está em I Tm 2:3-4 que diz: “Isto é bom aceitável diante de Deus, nosso Salvador, o qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da Verdade”. Vejam só o caso de Abraão, Salomão e Jó, autênticos servos do Deus vivo. Foram homens abastados de bens e dinheiro, entretanto Jesus impôs ao jovem rico a condição de vender a sua riqueza e distribuir entre os pobres para depois segui-lo. Por que essa “discriminação” com o milionário jovem? Sabemos que os três primeiros não tinham o coração em suas riquezas, enquanto aquele jovem tinha um comportamento totalmente diferente e por isso saiu triste desistindo da proposta do Mestre por amar, acima de tudo, a sua riqueza. O apóstolo Paulo, o grande articulador da igreja primitiva, convivia com “um espinho em sua carne” que o perturbava dia e noite. Por três vezes pediu cura e não foi curado! Será que não merecia ser curado? Não tinha fé? Simplesmente aquela cura não fazia parte do plano de Deus!
Voltando às práticas atraentes da igreja evangélica atual vemos que o autêntico louvor cedeu lugar aos grandes shows ricamente produzidos para agradar a imensa e eufórica platéia. As coreografias estão cada vez mais presentes para “colorir” e “animar” ainda mais o espetáculo. Recentemente assisti na casa de um irmão o pedacinho de um vídeo desses barulhentos shows e, estupefato, vi, no meio da multidão que pulava freneticamente, vários casais dançando agarradinhos! Fiquei impressionado e estarrecido com essa nova forma de “louvar” a Deus em duplas! Orar em duplas, tudo bem. Eu já vi e já fiz! Mas, louvar a Deus em duplas daquela maneira, ainda não tinha visto! Por isso não pude continuar vendo tal aberração. Aquilo que João Batista disse e está registrado em Jo 3:30 “convém que Ele cresça e que eu diminua” não vale mais para os dias de hoje. O objetivo agora é ser o maior, a melhor atração, o mais importante. Afinal, a bilheteria tem de render um bom dinheiro!
O mundo moderno, incentivado fortemente pela mídia, não está ligando para esse negócio de conversão, arrependimento e compromisso, ou seja, mudar de rumo, voltar, ter uma nova vida, conforme a Palavra de Deus diz em II Co 5:17: “E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas”. Os apóstolos do passado foram presos e perseguidos exclusivamente por causa do evangelho, bem diferente do que acontece com os “apóstolos” e “bispos” da atualidade. O pior é que eles ainda enganam seus “mantenedores” dizendo que estão sendo perseguidos por causa do evangelho! E os milhares de seguidores, por não conhecerem a Palavra de Deus, acreditam! O apóstolo Pedro, devidamente inspirado pelo Espírito Santo, declara: “Não sofra, porém, nenhum de vós como assassino, ou ladrão, ou malfeitor; mas, se sofrer como cristão, não se envergonhe disso; antes, glorifiquem a Deus com esse nome” (I Pe 4:15-16). Aqui no Brasil fala-se muito no crescimento do número de evangélicos. E a situação moral e espiritual do país está cada vez pior. O grande problema é que essa quantidade não está totalmente relacionada à qualidade. Assim, torna-se necessário enfatizar a recomendação do apóstolo Paulo, citada em Rm 12:1-2: “Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”.
Encerrando, faço um apelo aos guardiões da Sã Doutrina para formar fileiras cada vez mais fortes contra essa onda imposta pelo mundo que tem como objetivo desestabilizar a verdadeira doutrina do evangelho que, no final, certamente prevalecerá, conforme promessa do nosso Senhor Jesus Cristo.

Humberto Jônatas Jorge Miranda – Belém-Pa.

Um comentário:

Claudia Segal disse...

Excelente comparação da igreja primitiva com a contemporãnea, concordo plenamente! Os crentes de hoje precisam ter consciência da responsabilidade individual no mundo, ou seja, de ser "sal e luz do mundo". Os crentes primitivos cumpriram muito bem seu dever e foram na maioria mortos por amor ao evangelho de Cristo. Ao crente comtemporâneo parece que não há essa visão nem consciência de sua responsabilidade e muitos "erram, não conhecendo as Escrituras"! Estão sob a "mira de Deus" pois certamente isto será cobrado no dia do juízo final, conforme Mt 25:31-46.